sexta-feira, 15 de julho de 2011

Uma carteira de competências e conhecimentos, o Portfolio





A sensação que tive, e que ainda tenho neste preciso instante, é a de uma criança, no início de uma vida de aprendizagem.
Ao sentar-me a reflectir sobre um percurso de aprendizagem como este, uma imagem vem-me frequentemente à mente: a de um bebé que se encontra deslumbrado a descobrir novos conhecimentos. Provavelmente este prazer de descoberta de novos conhecimentos ainda são duplicados, no meu caso, porque em vários momentos deste percurso aqui em Relações Interpessoais, cruzei conceitos, ideias, estratégias, e abordagens, que vêm dar, maravilhosamente, resposta a várias interrogações que colocava na minha prática do dia-a-dia.
No fundo, encontrei-me com uma sensação de descoberta, mas, ainda mais, numa descoberta de grande utilidade pessoal.
A abordagem sistémica que Del Prette coloca no seu texto sobre “vivências para o trabalho em grupo” trouxe-me uma importante matriz de compreensão de alguns eventos sociais ligados à educação e à acção pública;
O aprofundamento, muito interessante, sobre a Escola de Palo Alto e a abordagem interaccionista das Relações Interpessoais, obrigaram-me a re-interrogar algumas grelhas de análise que já possuía (Godet, Berne, Tenière-Buchot, Thesmar, e outros). Reformulei, assim, o meu profissionalismo nessa área;
A Dialógica nas interacções e a importância do tutorado, agradaram-me, também, e permitiu-me aprofundar, senão ter uma outra entrada para algumas questões já minhas conhecidas;
O Conflito na Escola e o Bullying, trouxeram-me conhecimentos que não possuía, sobretudo ao nível das estratégias de intervenção;
A descoberta da extensão das chamadas Comunidades Virtuais de Aprendizagem, qe desconhecia, foi muito proveitosa.

Acresce que o trabalho em grupo e a troca de impressões com os colegas foram-me muito úteis.


Assim, a caminhada iniciada há quatro meses permitiu ver e integrar muitas paisagens que não via todos os dias.

Comunidades Virtuais de Aprendizagem





As novas Tecnologias de Informação e Comunicação, e em particular a Internet, trouxeram às estratégias educativas novos desafios, novos interesses, novas possibilidades e, também, novas dificuldades, que importa compreender.
As Comunidades Virtuais de Aprendizagem (CVA), que Pierre Dillenbourg do Geneva Interaction Lab (2003) considera constituir um novo paradigma no aprender, que, apesar de corresponderem àquilo que Aires, Gaspar, Azevedo, Teixeira e Silva, no documento facultado na Unidade Curricular de Relações Interpessoais, consideram pertencer a um amplo movimento de virtualização, é uma realidade que corporiza esta problemática e que merece uma atenção particular. É que, neste momento, nas CVA’s não são as tecnologias que colocam desafios, mas sim as relações entre os seus membros. Como refere ainda Aires no referido documento “as tecnologias – incluindo a Internet não são agentes de mudança, mas mediadores usados, em cenários específicos, por agentes com experiencias e intencionalidades específicas”.
As CVA colocam, em particular, novos desafios criando novas dinâmicas de relação interpessoal que importa descortinar, decepar, perceber, pois estas relações interpessoais são de um novo tipo.
Da compreensão das relações entre membros das CVA depende a apreensão do potencial educativo das novas tecnologias de informação e comunicação.

Poplin citado por Hamman, (2001) teria identificado 125 definições de CVA, tal é a diversidade de práticas, mas estamos mais próximos, e adoptamos, aqui, a definição que apresenta Aires

 O conceito de Comunidade Virtual de Aprendizagem convoca a presença de agentes que interagem, negoceiam significados e identidades e promovem a construção conjunta e a apropriação individual de identidade.

Temos, pois, um grupo de aprendentes e ensinantes, que se encontram no ciberespaço, reunidos na partilha de objectivos comuns, que interagem e se influenciam, durante um certo tempo, produzindo e publicando em comum conhecimento.
Ou seja, numa Comunidade Virtual de Aprendizagem não basta trocar informações pela Internet. É necessário produzir conhecimento. Desenvolvendo relações entre os seus membros.
E nestas relações, onde os participantes constroem novos conhecimentos e afirmam identidades, mediadas por um mundo virtual, reguladas por valores partilhados, assiste-se, à construção de afinidades, parcerias e alianças intelectuais, pelos sentimentos de amizade, e, como é normal, em momentos de aquisição de conhecimentos, logo de eventual confronto, de conflito.
Aires, ainda, defende que as interacções que se verificam numa CVA promovem o desenvolvimento identitário dos seus membros.

Apresentam-se assim alguns aspectos matriciais das Comunidades Virtuais de Aprendizagem: o funcionamento reticular em fóruns de discussão, onde se observa a construção de novos conhecimentos e de novas identidades dos seus membros, fruto de relações interpessoais partilhadas, consentidas e negociadas, numa forte dialogicidade, prevalecendo a intersubjectividade entre os seus membros,


Bibliografia e webgrafia

·         Aires, L., Gaspar, I., Azevedo, J., Teixeira, A., Silva, S. e Laranjeiro, J. (n/d A). Comunidades de Aprendizage e Interacción: Aportaciones del Proyecto “@prende.com. Disponibilizado na UC.

·         Aires, L., Gaspar, I., Azevedo, J., Teixeira, A. e Silva, S. (n/d B). Comunidade de Aprendizagem: Das Dinâmicas e Interacção à Construção de Identidades Online. Disponibilizado na UC.

Conflito, bullying e Intervenção na Escola





A primeira e mais marcante sensação que me fica, a propósito do estudo e reflexão sobre o conflito na Escola e bullying, é o de um magnífico trabalho em equipa, com os meus colegas, a Cidália Guita, a Conceição Pires, o Manuel Rodrigues, a Maria Cruz e a Sandra Simplício. Este grupo produziu um trabalho que coloca, logo à partida: “ Na sociedade actual, um dos maiores desafios que a escola enfrenta prende-se com a emergência de situações de conflito, resultante da diversidade/heterogeneidade do público a que se destina, consequência do processo de democratização do sistema de ensino.
No entanto, o que se tem assistido nos últimos tempos é que a escola tem sido alvo de uma leitura que realça os acontecimentos de indisciplina e violência a que os seus agentes são sujeitos, procurando vítimas ou agressores, comprometendo o seu papel educativo e formativo.
Neste sentido, importa contextualizar os processos que determinam o conflito escolar, bem como reflectir sobre diferentes formas de análise do mesmo, no sentido de se promover o desenvolvimento dos diferentes agentes que constituem a comunidade escolar."
O tema é delicado.

É um fenómeno social grave, difícil, que devemos ter em atenção. O conflito, com características diferentes, é certo, do bullying, que ainda é muito mais grave, provoca insucessos de vida, mal-estar e esgota-nos, sem que se produza socialmente nada de positivo.
Mas o conflito, e o bullying, são, muitas vezes, a parte visivel de um iceberg, encontrando-se escondidos muitos outros problemas, que não sendo tratados levam ao insucesso.

O Tutorado e a Perspectiva Dialógica das Interacções







Duas questões acompanham-nos em Abril e Maio: a Dialógica das Interacções e o Tutorado

Quanto à Dialógica, remetia-me para a definição de Edgar Morin, reproduzido no vídeo, em anexo: “a relação entre duas noções que são ao mesmo tempo complementares, antagonistas e concorrentes”. Convidava a ouvir a magnífica abordagem de Morin.
Quanto ao Tutorado, ele suscita-me sempre muitas expectativas.
Situo-me, claramente, como defensor da formação profissional, defensor do sistema de formação em alternância, e defensor de um papel educativo no seio das organizações, como defende Jean Philippe Bootz (Bootz, 2010) nos seus trabalhos sobre prospectiva da educação em meio empresarial. Vejo o tutor como figura central desta ligação entre o mundo da economia e o mundo educativo.
Acresce que no próprio mundo educativo, a figura de tutor, como aquele que enquadra e ajuda a crescer, tenderá a ter cada vez mais importância.




Bootz,J-Ph. (2010). Strategic Foresight and Organizational Learning: Survey and Critical Analysis. Paris : Conservatoire National des Arts et Métiers

http://vodpod.com/watch/1384315-edgar-morin-dialogique

Abordagem Comunicacional das Relações Interpessoais



Duas questões fortes estão a ser aqui debatidas: o interaccionismo simbólico de Mead e as teorias comunicacionais da Escola de Palo Alto.
Agrada-me esta abordagem interaccionista. Num dos aspectos mais complexos da actividade humana, esta abordagem convence-me e é-me útil.
O facto de sermos capazes de agir por acção mútua, e de podemos influenciar tanto quanto somos influenciados, fascina-me até.
O interaccionismo simbólico, e Palo Alto, complementam e conforta-me, de alguma maneira, no que me convencera na Análise Transaccional de Eric Berne (a AT) e até na análise do Jogo de Actores de Tennière-Buchot.
A Escola de Palo Alto, iniciada em 1942, teve como fundador Gregory Bateson e tem como axiomas: 1) Não se pode não comunicar; (2) Qualquer comunicação caracteriza-se não só por um conteúdo como também por uma relação; (3) Aspecto de conteúdo e aspecto de relação, é uma metacomunicação; (4) A natureza de uma relação está na contingência da pontuação das sequências comuncacionais entre comunicantes; (5) os seres humanos comunicam digital e analogicamente
Esta interacção permanente agrada-me, também, pelo facto nos levar a produzir socialmente, influenciando e tendo em conta os outros.

Em alguns aspectos – ao contrariar a ideia de passividade e de determinismo -, ela aproxima-se da abordagem prospectiva de proactividade de Michel Godet ( Godet, 2011), que considera que o futuro  é fruto da vontade, das circunstâncias e do acaso. Também a expressão de Ortega Y Gasset “eu sou eu e minhas circunstância”.



Webgrafia e bibliografia
http://www.slideshare.net/mscabral/interaccionismo-simblico-e-escola-de-palo-alto
Godet, M.(2011). A prospectiva estratégica para as empresas e os territórios. Paris: Unesco e Dunod  consultável em www.laprospective.fr
Griffin, E. (2006). A First Look at Communication Theory. McGraw-Hill (6ª ed.) http://www.afirstlook.com/main.cfm

Relações Interpessoais




Nas Relações Interpessoais, podemos destacar alguns conceitos chave que o grupo, ao longo do estudo da abordagem,  colocou em debate, tais como afiliação, aceitação, reciprocidade, interdependência e rejeição, que a Isabel Fernandes  considera fazerem “parte do nosso quotidiano, quer na vida pessoal, quer na vida profissional, ainda que nem sempre estejamos despertos para eles
A afiliação, no contributo da Sandra Simplício, é uma característica da espécie humana enquanto espécie gregária que procura a companhia de outros membros da espécie criando melhores condições de sobrevivência e adaptação ao meio.
Segundo Huertas (2006), citado pela Alzira Mendes, a afiliação é “a predisposição social dos seres humanos para o convívio uns com os outros , o que se reveste de importância significativa pois a convivência em grupo melhora a identidade pessoal, bem como ajuda a definir os próprios interesses pessoais. Este autor refere ainda que é no grupo que se constroem e formam os processos psíquicos do ser humano”.
A aceitação, na opinião indicado pela Isabel Abelheira, onde me revejo, citando Del Prette, é a “firme disposição de reconhecer o outro tal como ele é, respeitando as diferenças percebidas, assumindo que qualquer objectivo de mudança deve passar pelo crivo de ambas as pessoas em interacção”. Isabel considera que a aceitação opõe-se à intolerância e constitui-se como um elemento importante da convivência, sendo a base de uma relação baseada no respeito mútuo. A aceitação relaciona-se com a reciprocidade, que consiste "na maior garantia de exercício do direito de cada um ser como é, praticar a sua cultura e ter os seus valores, divulgando-os e defendendo-os. A aceitação predispõe a olhar e a ouvir"
A reciprocidade, como a Isabel Pestana sublinha, refere-se a responder a uma acção positiva com outra acção positiva, e responder a uma acção negativa com outra negativa. Acções recíprocas positivas diferenciam-se de acções altruístas visto que ocorrem somente como decorrência de outras acções positivas. As acções recíprocas ajudam a explicar a manutenção de normas sociais
A interdependência está associada à necessidade de filiação, desejabilidade social, atracção interpessoal, etc. Enquanto possuidor de capacidades de auto-organização e auto renovação, o Homem mantém uma troca contínua com o ambiente
A rejeição, na opinião da Ana Cristina Louro, “está relacionada com a discriminação, isto é, com o comportamento negativo em relação a membros de um grupo específico”.

Para além destas opiniões de colegas durante o debate, aprecio em particular, o texto de Del Prette ( Del Prette, 2007) sobre alguns considerandos aspectos, em psicologia das relações interpessoais, intitulado “vivências para o trabalho em grupo”, onde os autores, Almir e Zilda Del Prette. Neste texto muito interessante, a abordagem sistémica das Relações Interpessoais é sublinhada, sublinhando-se como subsistema “ a tríade pensamento – sentimento - acção” e colocando-se na reflexão a importância da inteligência múltipla, em particular a inteligência emocional. Este texto traz-me uma grelha de análise para um certo número de situações práticas do meu dia-a-dia.


Webgrafia e bibliografia
Siqueira, M.M.M. Esquema mental de reciprocidade e influências sobre afetividade no trabalho. Estud. psicol. (Natal). 2005, vol.10, n.1 pp. 83-93 Recuperado em 2011-03-20 de http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1413-294X2005000100010&lng=en&nrm=iso
DEL PRETTE, A.D. e Z.A.P. DEL PRETTE (2007), Psicologia das Relações Interpessoais, Petrópolis, Vozes

quinta-feira, 14 de julho de 2011

Ao longo do caminho

Percorrer os conhecimentos que nos são apresentados, que cruzamos, que investigamos, numa Unidade Curricular como a de Relações Interpessoais da Universidade Aberta, é uma caminhada interessante que nos pode levar a uma aquisição de conhecimentos e competências, melhorados, certamente, se ao longo deste percurso, formos anotando sensações, anexando trabalhos produzidos e juntando referências bibliográficas e webgráficas.
Felizmente que nesta caminhada andamos acomonhados pela Professor Luísa Aires e pelos colegas.
Este é, portanto, o registo deste percurso, também com uma reflexão final, que colocaremos aqui