As novas Tecnologias de Informação e Comunicação, e em particular a Internet, trouxeram às estratégias educativas novos desafios, novos interesses, novas possibilidades e, também, novas dificuldades, que importa compreender.
As Comunidades Virtuais de Aprendizagem (CVA), que Pierre Dillenbourg do Geneva Interaction Lab (2003) considera constituir um novo paradigma no aprender, que, apesar de corresponderem àquilo que Aires, Gaspar, Azevedo, Teixeira e Silva, no documento facultado na Unidade Curricular de Relações Interpessoais, consideram pertencer a um amplo movimento de virtualização, é uma realidade que corporiza esta problemática e que merece uma atenção particular. É que, neste momento, nas CVA’s não são as tecnologias que colocam desafios, mas sim as relações entre os seus membros. Como refere ainda Aires no referido documento “as tecnologias – incluindo a Internet não são agentes de mudança, mas mediadores usados, em cenários específicos, por agentes com experiencias e intencionalidades específicas”.
As CVA colocam, em particular, novos desafios criando novas dinâmicas de relação interpessoal que importa descortinar, decepar, perceber, pois estas relações interpessoais são de um novo tipo.
Da compreensão das relações entre membros das CVA depende a apreensão do potencial educativo das novas tecnologias de informação e comunicação.
Poplin citado por Hamman, (2001) teria identificado 125 definições de CVA, tal é a diversidade de práticas, mas estamos mais próximos, e adoptamos, aqui, a definição que apresenta Aires
O conceito de Comunidade Virtual de Aprendizagem convoca a presença de agentes que interagem, negoceiam significados e identidades e promovem a construção conjunta e a apropriação individual de identidade.
Temos, pois, um grupo de aprendentes e ensinantes, que se encontram no ciberespaço, reunidos na partilha de objectivos comuns, que interagem e se influenciam, durante um certo tempo, produzindo e publicando em comum conhecimento.
Ou seja, numa Comunidade Virtual de Aprendizagem não basta trocar informações pela Internet. É necessário produzir conhecimento. Desenvolvendo relações entre os seus membros.
E nestas relações, onde os participantes constroem novos conhecimentos e afirmam identidades, mediadas por um mundo virtual, reguladas por valores partilhados, assiste-se, à construção de afinidades, parcerias e alianças intelectuais, pelos sentimentos de amizade, e, como é normal, em momentos de aquisição de conhecimentos, logo de eventual confronto, de conflito.
Aires, ainda, defende que as interacções que se verificam numa CVA promovem o desenvolvimento identitário dos seus membros.
Apresentam-se assim alguns aspectos matriciais das Comunidades Virtuais de Aprendizagem: o funcionamento reticular em fóruns de discussão, onde se observa a construção de novos conhecimentos e de novas identidades dos seus membros, fruto de relações interpessoais partilhadas, consentidas e negociadas, numa forte dialogicidade, prevalecendo a intersubjectividade entre os seus membros,
Bibliografia e webgrafia
· Aires, L., Gaspar, I., Azevedo, J., Teixeira, A., Silva, S. e Laranjeiro, J. (n/d A). Comunidades de Aprendizage e Interacción: Aportaciones del Proyecto “@prende.com”. Disponibilizado na UC.
· Aires, L., Gaspar, I., Azevedo, J., Teixeira, A. e Silva, S. (n/d B). Comunidade de Aprendizagem: Das Dinâmicas e Interacção à Construção de Identidades Online. Disponibilizado na UC.
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